03 abril 2013

EMPRESÁRIO X CLIENTE = RELAÇÃO REGULAMENTADA PELO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR E O EQUILÍBRIO SOCIAL.

*Laura Lima 

Uma relação delicada e de fundamental importância para o equilíbrio econômico.


A relação existente entre empresas e  clientes é regulamentada pela LEI Nº 8.078, DE 11 DE SETEMBRO DE 1990, ou melhor falando, trata-se do Código de Defesa do consumidor,  cuja intenção não foi apenas dirimir conflitos, mas sim pautar este convívio, colocando o consumidor na posição de parte frágil, considerada hipossuficiente, bem como aprimorar o fornecimento de produtos e serviços, melhorando a qualidade dos mesmos.


Sabemos que é a atividade empresarial que atende aos interesses de toda a sociedade e não apenas dos empresários, haja vista que o desenvolvimento econômico compete, na prática, aos empresários, e é este desenvolvimento econômico que garante a manutenção dos postos de trabalho, o atendimento das necessidades dos consumidores, a arrecadação tributária imprescindível para o Estado exercer suas atividades, etc.. daí fica sobejamente demonstrada a necessidade de atribuir a devida importância da  figura do empresário no equilíbrio social, na geração de emprego e renda.


Para muitos empresários o CDC (CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR) ainda é visto como protecionista, onde atende em demasia os interesses apenas dos clientes, esquecendo-se da retro mencionada importância da empresa para o equilíbrio da sociedade. Portanto, cada vez mais os magistrados tem buscado aplicar as normas jurídicas de forma que não cause um desequilíbrio social, tem-se dado sentenças com fulcro educativo, onde as empresas são orientadas a buscar conhecer melhor o gosto e o conceito da região aonde desenvolve seu ramo de atividade, para assim agradar melhor seu público alvo, e minimizarem os entraves judiciais.


É ponto indiscutível que  os consumidores estão cada vez mais exigentes, e cobram dos empresários não apenas melhor qualidade de seus produtos e serviços, mas também uma postura em relação ao meio ambiente, a metas de responsabilidade social, as leis trabalhistas, etc... Então não se pode simplesmente ignorar este up grade nas exigências dos clientes, faz-se necessário estimular os empresários a alcançarem a excelência não apenas naquilo que oferecem para comercializar, mas também orientá-los a respeitar o meio ambiente, a dar um retorno dos seus lucros a comunidade onde atuam,  a dar uma função social a esta atividade que desenvolvem, comprometendo-os  com a sociedade como um todo.


Já caiu em desuso a política da EMPRESA EXTRATIVISTA, hoje a abrangência da responsabilidade de uma empresa conforme dito acima é muito maior, vai desde a qualidade naquilo que ela oferece até seu comprometimento com o meio em que se instala. O empresário precisa estar antenado em tudo ao seu redor, incluindo as normas trabalhistas, as normas ambientais, as políticas comerciais e também com o CDC, pois nesta queda de braço EMPRESA X CONSUMIDOR ganha quem estiver caminhando dentro da legalidade e também que possuir mais informações.

Por fim não há como negar a importância que o CDC trouxe para o nosso país, uma evolução cultural que era necessária e desejada a muito tempo nestas relações comerciais existentes em nossa sociedade, só que, se tal conjunto de normas forem mal aplicadas, transformará o respeito conquistado, em abuso institucionalizado.

No próximo tema falaremos de
CLIENTE  E  EMPRESA  X (VERSUS) REDES SOCIAIS

 
* Laura Lima Da Silva, advogada graduada em 1995 pela UESC, Especialista em Direito Processual Civil pela Universidade Estadual de Santa Cruz (2003), e inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional da Bahia, sob nº 14.340. Atua como advogada na áreas cíveis, comerciais e consumerista.
Colunista semanal do Blog www.administrandohoje.blogspot.com.br

02 abril 2013

Capa do google do dia 02 de abril



O Google amanheceu mais artístico hoje por conta da homenagem à Maria Sibylla Merian, naturalista e ilustradora científica que desenhou em detalhes os estágios da metamorfose das borboletas. O doodle na página de buscas marca o 366° aniversário da entomologista suíça.

Depois de aprender a desenhar com seu padastro e passar dois anos em Amsterdã, Maria Sibylla viajou ao Suriname, onde observou a metamorfose das borboletas e as desenhou em detalhes, publicando "Metamorphosis insectorum Surinamensium" na volta à Europa - a obra exibia outros insetos latino-americanos.

Durante o tempo na colônia holandesa, a entomologista também criticou a escravatura e a maneira como índios e negros eram tratados no Suriname.

Fonte: terra.com.br

O que é microcrédito? Uma das histórias de Muhammad Yunus.




*Petrônio Hipólito 

Caros leitores, vou fazer a vocês um relato sobre o surgimento de um modelo inovador de financiamento que pode acabar com a pobreza no mundo e que tem tudo a ver com responsabilidade social. Comecemos pelo economista que cujo nome está no título de hoje.

Muhammad Yunus nasceu em Blangadesh, um país pobre situado no sul da Ásia. Formou-se em Economia e fez doutorado nos Estados Unidos. Ao retornar lecionou Economia na Universidade de Chittatong, no sul do país. Era a década de 70, Bangladesh havia declarado independência do Paquistão e atravessava sérias dificuldades. Certa vez Yunus reuniu um grupo de estudantes e ao visitar uma aldeia se deparou com trabalhadoras rurais que confeccionavam cestos de bambu. Verificou que na extrema pobreza em que viviam, trabalhavam arduamente e não conseguiam se libertar de um circulo vicioso da miséria gerado pela falta de financiamento Os bancos recusavam pequenos empréstimos para compra de materiais de trabalho por não poderem obter garantias. Como as trabalhadoras não tinham acesso ao crédito formal, tomavam dinheiro emprestado para comprar o bambu (matéria prima dos cestos) justamente do comprador dos mesmos, o único que oferecia financiamento. Este emprestava 22 centavos de dólar para cada cesto que o trabalhador produzia e comprava os cestos acabados por 24 centavos. Portanto, dois centavos de dólar era o lucro por cesto produzido, impedindo o trabalhador de ter um rendimento adequado e ser forçado a recorrer repetidamente ao empréstimo do comprador de cestos para poder trabalhar. Yunus se perguntou como poderia libertar estas pessoas desse ciclo perverso. Ele mesmo emprestou US$ 27 ao grupo e recebeu o valor integral de volta. Essa experiência gerou um segundo empréstimo de US$300, que foi novamente pago. Foi a semente para a criação do Grameen Bank, um banco destinado a emprestar aos pobres e do surgimento do conceito de microcrédito. O banco operava com de formas criativas de obtenção de garantias como a responsabilidade solidária do grupo com o pagamento do dinheiro emprestado de maneira a fortalecer a renda da comunidade, aumentar o número de trabalhadores beneficiados e romper o ciclo da pobreza. Basta dizer que em 1995 o banco contava com dois milhões de clientes com a menor taxa de inadimplência em seu segmento.

A criação do banco inspirou o surgimento de programas de microcrédito e políticas de combate à pobreza em todo o mundo. Em reconhecimento ao seu trabalho Yunus foi agraciado com o Premio Nobel da Paz em 2006. Sua iniciativa inspirou a criação de um sem número de negócios sociais em Bangladesh como serviços de telefonia celular, fábrica de alimentos, usinas de geração de eletricidade a partir de energia solar e unidade de produção de água potável. Esse modelo de negócio social, um pouco diferente da empresa tradicional por prever a aplicação do lucro no próprio negócio, se replicou em todo o mundo, inclusive no Brasil. Sobre isso vou escrever mais adiante contando outras histórias de Yunus.

Boa semana a todos e até a próxima terça-feira.

Fonte:O Desafio das Microfinanças – Angela da Rocha e Renato Cotta de Mello – COPPEAD 2004


(*) Petrônio Hipólito tem 54 anos, é engenheiro agrônomo pela ESALQ-USP. Especializou-se em Gestão de Sustentabilidade e em Administração (CEAG) pela FGV. É palestrante e consultor. Tem sólida experiência em Responsabilidade Social e Desenvolvimento Sustentável.
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